Venda sem prescrição médica

Overdosem-se!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A gente não quer só comida, a gente quer serviço social aliado à ciência social

O texto a seguir seguirá a forma de uma espécie de funil, isto é, começarei com exemplos do nível macrossistêmico que vão chegando aonde eu quero chegar. Cuma? =P

                2009, Recife. Estava eu e mais duas pessoas na praça da Jaqueira numa espécie de “terapia alcoólicos anônimos”. Na verdade esse seria o fim do encontro, o começo dos vômitos até então enovelados na garganta se deu quando os 3 resolveram apenas passear no parque, porém, chegou um momento em que eu decidi correr, tristemente, uma desculpa para me distanciar da boa companhia e tirar um tempo para alguém que até então eu tinha dado um tempo: eu.

                Pra ser sincera, o objetivo de correr era o de que, dessa maneira, eu aumentaria minha  taxa de endorfina, serotonina e outras inas mais (não, o tempo ainda não tava a ponto de cocaína =P). Sabe aquela música do Roberto Carlos? “Então eu coooorro demais”. Pronto, eu só pensava nela, mas meus motivos eram outros. Conclusão, meus amigos me acharam, a gente conversou, compartilhou opiniões, experiências e aí, sim, eu melhorei, a corrida não tinha me afetado em quase nada.

                Daí eu posso tirar que ao invés de eu tirar algum espinho que poderia estar me furando, eu tomava uma anestesia, mas quando eu efeito passava, o espinho ainda estava dentro e voltava a doer...

                O mesmo ocorreria se eu tivesse consumido as tão sonhadas sessões de acupuntura... ahhhh(suspiros estilos depois que se bebe um copo de cerveja gelada) Ou seja, mais uma vez eu estaria atacando o alvo errado.

                É quase os EUA ao insistirem, principalmente na era Bush filho, em afirmar globalmente que a questão do terrorismo é única e exclusivamente causada devido ao fundamento religioso islâmico. Negando, assim, a realidade de inúmeras intervenções estadunidenses na região deles (Iraque, Afeganistão), impondo a democracia, mas carregando com ela uma série de valores responsáveis por pôr os árabes numa espécie de crise de identidade, logo, frustrados.  O terrorismo seria uma espécie de válvula de escape de tanta insatisfação em meio ao universo globalizado padronizador de modelos de organização sociais, fazendo com que árabes se sintam a ovelha negra da família dos humanos.(uhh) O último grito esganiçado quer ser ouvido com o sentido de “será possível que só assim v6 vão atender às nossas reclamações?!”

Visto por esse ponto, os ataques empenhados (Jihad= empenho, não guerra-santa como o ocidente costuma pregar) de homens-bomba suicidas são semelhante à luta armada exercida por Nelson Mandela. No caso da África do Sul, o estrangulamento da esmagadora maioria da população proporcionado pelo regime racista do apartheid só foi solucionado graças aos esforços para alarmar para a situação porque como em várias atividades, as pessoas só querem agir quando o problema chega a elas (quem vai a uma reunião sindical? Agora, se começar a faltar água direto? Com certeza, muitos que nunca deram as caras, vão aparecer, não é verdade?)

Voltando...  os ataques de 11 de setembro serviram para alarmar os americanos (já que mexeram com eles) como se fosse o único jeito de chamar atenção para o que estava se passando na área em que os EUA estavam intervindo.

Enfim, todos nós estávamos nos concentrando num alvo capaz de aliviar-nos momentaneamente.  Aliviar, não resolver.

É aí que entra o embate acerca do assistencialismo. As ações efetivadas funcionam como um alívio, mas não abrangem o suficiente para chegar próximo de uma solução. Por essa razão, dou mais apoio à formação de cientistas sociais aptos a identificar, analisar e criar projetos a fim de solucionar a questão da marginalidade e da violência nos grandes centros,por exemplo, ou então maneiras de como escolas públicas de todo um Estado podem se tornar melhores. No caso, fiquei sabendo da ação de uma cientista social de SP que colocou metas, avaliadas através exames, e se tais metas fossem atingidas, existiriam efeitos nos próprios salários de todos os participantes; essa idéia surtiu efeito.

Pois do mesmo modo que um economista cria estratégias  a fim de garantir o melhor desempenho do país no mercado, um cientista social faz (ou faria?) o mesmo, mas a fim de proporcionar que vários segmentos da sociedade possuam espaço para exercer suas potencialidades, tornando a sociedade melhor para todos, com menos obstáculos  ( se esses forem trazidos em decorrência das más relações sociais – exclusão que gera violência que afeta famílias de todas as classes).

Enfim, o serviço social é importante, pois ameniza uma realidade drástica, é uma espécie de medida emergencial (quase uma pílula do dia seguinte =D), mas que não pode estar solitária. Não deve estar desassociado das ciências sociais, caso contrário, o efeito é diminuído.  É tipo, assistencialismo serve a curto prazo e cientismo (=P) a longo prazo.

 Mas se governos após governos não se interessam, em geral, por ações de efeito só  em  gerações seguintes, gerações essas que podem estar sendo governadas por alguém da oposição. A oposição levará os méritos?  Então, nota-se praticamente o abandono de projetos de benefício a longo prazo. O mais eficente seria se houvessem os dois.

Afinal, alguma coisa tem que ser feita na 9ª economia global e ljsafhsjlsjhglshglks 75º de nível de IDH! o O


Lembro bem de quando meu cabelo estava caótico e minha mãe insistia em alisar a raiz dos cachinhos meus (acho que ela queria ‘cortar o mau pela raiz’, mas...=D). Certo, ele fica bom, não vou mentir, mas de lá alguns meses tudo se repetia, até que se tornou uma dependência. Amenizava, não resolvia. Poizé... Ainda bem que eu aprendi que não se deve cuidar deles como se eles fossem lisos, assim como também não se deve dar uma banana a um leão e x kg de filé mignon a alguma “velha” aproveitadora... hunf...

Bom, baixando o nível mediante o uso de termos chulos, MAS CLAROS, abro a boca para falar (ou seria aperto teclas pra digitar?) que ONGs e serviço social são úteis e incentivadas simplesmente porque elas “limpam a merda que outros cagam”. De modo que elas acabam tirando um papel que seria do Estado. Tá certo que o Estado não faz nada por si só e que as pessoas acabam buscando  outras formas de realizar algum trabalho de responsabilidade social. Acontece que primordialmente deveria ser exigido, cobrado do Estado o cumprimento do papel que foi confiado a ele. Por exemplo, algumas escolas públicas no sul do Brasil funcionam graças à participação e cobrança dos pais que exigem dos governantes um ensino de qualidade. Já no restante do país quando o ensino público teve a qualidade diminuída (era Vargas era bom o ensino) o que foi que os afetados preferiram fazer? Aceitar um ensino particular, mas de qualidade, enquanto o mais correto teria sido cobrar dos responsáveis o bom funcionamento das escolas. Mas acho que o que aconteceu foi mais um típico simbolismo de status: ter filhos em escola particular traz mais reconhecimento que colocá-los em escola pública.

                Enfim, sou a favor de cotas (falta definir quem é negro) porque daqui que vá ser melhorado o sistema vai ser mais um século de desigualdade!  Também, concordo com a política do Bolsa- escola, tá certo que é útil para alimentar não só quem deve, mas também a mamata de muitos políticos e o eleitorado deles.  Mas é fato que, por outro lado, há mudanças no hábito de ir para escola e que só serão notadas gerações a frente.

Para concluir, não é somente pôr a minhoca na boca dos passarinhos, mas também ensiná-los a voar e caçar seu próprio alimento (versão menos clichê de “ensinar a pescar”).
 Como isso pode acontecer? Políticas sociais sócias de assistenciais.

Bom aqui está:
http://www.youtube.com/watch?v=kDauPMPIEDw&feature=related

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Pra aliviar a dor...

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Pra aliviar a dor...

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...

Diversão e arte
Para qualquer parte
Diversão, balé
Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo!
Necessidade, vontade!
Necessidade...


Daí se tira que a característica fundamental do humano é o seu aspecto criativo. O homem pode ser muitas coisas de muitas formas diferentes e está sempre se reinventando. Não é apenas animalidade.  Não apenas vice ou sobrevive para comer e se multiplicar.

Precisa de muito mais para que seja verdadeiramente humano. A comida é essencial, mas não constitui condição suficiente para a efetiva realização e desenvolvimento do humano.

Precisamos de arte, sexo, conhecimento, viagens, sonhos, crenças, novas experiências. Sobretudo, precisamos criar, reinventando o que entendemos por humano. Deixar de produzir o novo, amesquinhar nossos objetivos, reduzindo-os a mera busca de mais e mais capital seria o mesmo que abandonar a característica definidora do nosso ser.

Falando em Brasil, uma parte significativa da nossa população se encontra abaixo da linha de pobreza. Outra parte, apesar de possuir certo conforto material tem dificuldade de acesso aos bens culturais, os poucos que há são produzidos muitas vezes para uma certa elite pensante.

“E agora, José?” Maria, João, Joana, Ana, Josefa, Camila, Paula, Diogo, Rodrigo, Ricardo, Jéssica, Mariana, Vítor, Suzana, Amanda, Rafael, Mário, Pedro, povo brasileiro...

E não me venham com “ E daí, Day?”





segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Favelário nacional


Um episódio de sala de aula me impulsionou a postar o texto a seguir – de Drummond. Mas antes, vou contar (sob o meu ponto de vista) o que ocorreu. Se por ventura, a protagonista perceber q falo dela, por favor não se ofenda, não é esse meu objetivo. Só pretendo mostrar o motivo de minha opinião divergir da sua, ainda assim, respeito suas razões.

Era aula de antropologia, uma matéria que busca fazer com que entendamos cada sociedade de acordo com a sua própria lógica, além de tentar introduzir- nos num mundo com menos estereótipos, pois os mesmos são resultado de generalizações – comumente distorcidas.

Bom, ao estilo “eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada”, a garota deu início a um de seus típicos comentários de rápida perda de sequência do que estava sendo dito até então. (A impressão que eu tenho é de uma corrente cujos segmentos desmembraram-se).

Segundo a menina, ela não seria capaz de realizar uma interpretação crítica da própria cultura porque ela sempre iria distorcer a realidade em favor da própria cultura, tipo, negando a existência de aspectos negativos. Ela citou uns exemplos nada a ver de interior e de favela (“A gente meio que sabe como é, eu leio as notícias e sei que lá só tem gente pobre, burra e blábláblábláblá”). Tudo isso entoado num tom que pretendia provocar risos.

A meu ver, não fez um menor sentido o que ela disse. Primeiro: como cultura é tudo o que as pessoas aprendem em sociedade, não creio que a simples menção de interior ou de favela diz respeito necessariamente à cultura local. Segundo: como uniformizar a imensidão do território brasileiro? Óbvio que há bastantes aspectos que não conhecemos muito bem (onde foi para o “só sei que nada sei” de Sócrates?). Terceiro: características consideradas positivas para uma sociedade podem representar uma conotação pejorativa em outras. Por exemplo, os brasileiros se acham simpáticos, mas outros grupos podem achar-nos invasivos. Logo, mesmo que ela distorcesse sua sociedade, isso não traria –obrigatoriamente- uma boa imagem.

A garota revelou uma face preconceituosa, no sentido real da palavra, pois ela atribuiu valor, julgou antes mesmo de conhecer, apenas com a inconsciente, automática associação – incansavelmente reproduzida ao ser redor. Apenas ela não analisa criticamente os fatos, é o tipo de povo-papagaio que grava e dissemina as opiniões que ouviu num sei onde de num sei quem- da sua classe, claro.

Mas não a culpo por viver enclausurada numa bolha, protegida pela placenta de pais que acham que ir à esquina é arriscado demais, afinal a pobrezinha pode encontrar algum lobo mau negro, pobre, marginal, faminto que irá levá-la para as trevas da favela.



Certo, não ficou tão claro quanto eu pretendia, mesmo porque foi difícil interpretar aonde ela queria chegar. Em contrapartida, abaixo se encontra um texto muito íntimo da real idéia que penso ser a idéia que a gente sente sobre a desconhecida, mas tão especulada favela.



Favelário nacional


Quem sou eu para te cantar, favela,


Que cantas em mim e para ninguém


a noite inteira de sexta-feira


e a noite inteira de sábado


E nos desconheces,


como igualmente não te conhecemos?


Sei apenas do teu mau cheiro:


Baixou em mim na viração,


direto, rápido, telegrama nasal


anunciando morte... melhor, tua vida....




Decoro teus nomes. Eles


jorraram na enxurrada entre detritos


da grande chuva de janeiro de 1966


em noites e dias e pesadelos consecutivos.




Tua dignidade é teu isolamento por cima da gente.


Não sei subir teus caminhos de rato, de cobra e baseado,


Tuas perambeiras, templos de Mamalapunam


Em suspensão carioca.




Aqui só vive gente,


bicho nenhum tem essa coragem....




Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer,


Medo só de te sentir, encravada


Favela, erisipela, mal-do-monte


Na coxa flava do Rio de Janeiro.


Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver


nem de tua manha nem de teu olhar.




Medo de que sintas como sou culpado



e culpados somos



de pouca ou nenhuma irmandade.


Custa ser irmão,


custa abandonar nossos privilégios




e traçar a plantada justa igualdade.






Somos desiguais


e queremos ser


sempre desiguais.




E queremos ser


bonzinhos benévolos


comedidamente


sociologicamente


mui bem comportados.




Mas, favela, ciao,


que este nosso papo


está ficando tão desagradável.




Vês que perdi o tom e a empáfia do começo?...











quarta-feira, 2 de setembro de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

Transnacionais e transações anuais: o basich

Empresas transnacionais são corporações que buscam descentralizar a produção dos bens e serviços que comercializados por elas; de modo que a sede administrativa e o laboratório de criação se localizam em um determinado país, a matéria-prima empregada na fabricação do produto provém de outra localidade e a produção da mercadoria é realizada em um Estado distinto.

Por esta característica, as transnacionais são acusadas de não serem vinculados a nenhum país – nem mesmo o de sua origem. Tal razão vem induzindo a substituição do termo multinacional por transnacional, visto que aquele indicaria que uma empresa possuiria várias nacionalidades, sendo que na realidade elas apenas transferem-se de lugar, numa tentativa de maximizar os lucros mediante custos mais baixos possíveis - mesmo que para isso elas tracem estratégias conflituosas com as das empresas locais.

Então, tendo em vista lucros em escala global, as transnacionais almejam e até “necessitam” dominar mercados de mesma proporção para, com isso, conseguirem vencer a concorrência. Entretanto, para atingirem metas tão ambiciosas, elas se utilizam de meios antiéticos (justificados pelas tais “necessidades”)

Uma ação típica das “empreendedoras” é a penetração em mercados ainda em expansão e com expectativas de forte crescimento. Geralmente, os próprios governos dos países subdesenvolvidos estimulam a entrada de investimentos externos no país. Isto porque eles acreditam que, através delas, conseguirão mais riqueza e melhores condições de vida para a população.

Mas não é isso o que ocorre. É verdade que as transnacionais levam consigo novos produtos, novos serviços, tecnologias e técnicas de produção, apesar disso, essas corporações também têm a capacidade de provocar a falência das empresas locais e chantagear governos.

Como a internacionalização da economia vem acontecendo de maneira mais acelerada que o desenvolvimento dos países (os fluxos de investimentos estrangeiros cresceram em proporção mais elevada do que as taxas de crescimento das economias), o desempenho local dos países não se encontra no mesmo nível que o das trans; de forma que os possíveis benefícios a serem proporcionados com as rivalidades – como, por exemplo, a melhora gradual no produto ou serviço ofertado- não acontecem; simplesmente porque as empresas locais não conseguem vencer a disputa por mercados, fornecedores e mão-obra com uma rival de poder muito superior. Resultado: vão à falência.

Outro dano pelas transnacionais causado está ligado à dependência. Os países recebedores de transnacionais apresentam seu desempenho exportador diretamente relacionado a elas, portanto, aproveitando-se dessa condição e da imensa dimensão econômica – só para se ter uma ideia, em 1996, cerca de 400 desse tipo de empresa alcançaram vendas anuais superiores a U$$ 10 bilhões, enquanto que apenas 70 países tiveram um PNB, que desconta os lucros enviados ao exterior pelas transnacionais, por exemplo, próximo a esse valor – as transnacionais chantageiam os governos para que os incentivos ,que lhes foram fornecidos por um prazo, continuem até o tempo que for da vontade delas; caso contrário, elas mudarão de lugar e deixarão milhares de famílias brasileiras desempregadas. Nessa situação, os governos cedem.

Outra polêmica se refere à dificuldade que há em exigir respostas às transnacionais no que diz respeito às atitudes desrespeitosas destas quanto aos direitos humanos (a exploração da mão-de-obra em países pobres, na qual pessoas não são tratadas como seres humanos, mas vistas somente como fator produtivo); ao descaso com o meio-ambiente ou à manipulação do consumidor e, ainda, posições acerca das práticas ilegais nos negócios, incluindo o descontrole fiscal, que acarretam quebradeira das empresas e crise.

E a lista continua, a Guerra civil de Angola, a citar, foi sustentada por patrocínios de transnacionais interessadas no conflito para que, assim, pudessem se apropriar dos recursos naturais da região. De igual indignação é o fato de, durante a Segunda Guerra Mundial, o exército japonês ter “cedido” os prisioneiros para realizar trabalho escravo nas fábricas Mitsu e Mitsubishi. Ainda no contexto, a Ford e a GM financiaram o exército nazista alemão, tornando-se assim as maiores fornecedoras de veículos e, através dessas práticas, mais ricas também; sem contar a questão do aumento do preço dos alimentos, provocada pelo monopólio de sementes que empresas como Bunge e Cargill.

Nesse sentido, visto que as transnacionais não estão vinculadas a nenhum país, fica difícil para a população e para os Estados (que, inúmeras vezes, até mesmo apóiam as trans mediante acordos para que elas financiem, com dinheiro sujo de máfia e tráfico de drogas, suas respectivas campanhas eleitorais) imporem posições sobre tais assuntos já que a qualquer momento elas podem se translocar e, com isso, deixar muitas famílias sem trabalho – mesmo que a atividade que se ocupam seja desumana.

Por fim, uma explicação para ações de tamanha repugnância retirada do Relatório de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas de 1999: “Quando as motivações de lucro dos atores do mercado ficam fora de controle, desafiam a ética das pessoas e sacrificam o respeito pela justiça e direitos humanos”.

Vejam os documentários
"The Corporation" e " Operários do mundo"

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Porque um conto não vale nem um conto do que realmente acontece

Saiu de casa, bem dormida, bem alimentada – nutrida de refeição e de energia.
Energia das calorias do alimento e energia que o despertar de um sono revitalizador traz consigo: dando tanta vida à vida, que esta consegue se sobrepor às possíveis dores; energia que se manifesta através da boa disposição.
Boa disposição do corpo e do espírito.
O estado -de– espírito está disposto sob forma de um prisma refletor das cores componentes do arco-íris, parece até que realmente viu um arco-íris! É o estado – de – divina graça, até os menos supersticiosos diriam que ela “acordou com o pé direito”, a moleca estava em estupenda harmonia. As armas atiradoras das balas semanais? Tirou de letra! E com estas letras rabiscou (na testa – bem tipo, “tá na cara”) a palavra: S-A-T- I-S-F-A-Ç-Ã-O
Afinal, ela teve razão para isso. Fez os compridos, trabalhosos, exaustivos deveres e agora só restou o dever cumprido.
Prosseguindo, a gracinha segue seu caminho, não em direção à luz no fim do túnel, porque há luz por todo lado (o sol estava confortavelmente radiante, os raios tocavam-na transmitindo uma sensação acolhedora que “tomava conta do ar” – isto exponenciou o bom humor dela), mas em direção à luz da razão, rumava para a faculdade.
Depois de uma aula descontraída – não no sentido de divertida, mas de ter sido elástica por ter promovido uma abertura de visão- ela refaz o caminho, agora de volta, está indo de volta pra casa (pense em Relicário, de Nando Reis e Cássia Eller) ou caminho de volta pro ninho.
O caminhão, estacionado na parte oposta da calçada em que a passarinha passava, escondia um pardal – desses de rua- que estava se beneficiando da sombra do caminhão, era uma relação harmônica, comensalismo talvez, enfim: aquela relação entre a rêmora e o tubarão em que o último permanece indiferente e o outro se beneficia. O pardal cantarolou um sorriso, que pra algumas araras seria motivo de revolta (porque o cantor era um pardal), mas pra passarinha soou feito o canto do bem-te-vi, isto a admirou, ela estaria mudando de pele, e sentiu-se ainda mais encantada porque deixou o mundo mais feliz (bem como a propaganda do Boticário que, por meio de uma manipulação inconsciente, manda a pessoa espalhar a beleza por aí para deixar o mundo mais feliz – que coisa tosca!).
Ao adentrar o prédio, ela exclamou um “Bom dia!” para o porteiro, para o zelador, para a babá do bebê que ela brincara, para uma vizinha que “elogiava o brinco da interlocutora da ligação telefônica sem ao menos vê-lo”, ou seja, puxava o saco- notavelmente- da receptora da mensagem (bem ao estilo do José Dias, o agregado da família do D. Casmurro); para uma moradora meio abusada (a menina preferiu imaginar que ela deveria estar com algum problema), para o cara do lado dela (marido? filho?) que não devolve o cumprimento com a mesma empolgação, para a adolescente narcisista do elevador que preferiu ficar estourando espinhas sebosas de fronte ao espelho...
Faltou fôlego pra garota quando, abruptamente, abriu a porta de casa e deu de cara...
Com a bagunça. Então ela decidiu se mobilizar e limpar os móveis e o apê como um todo. Até que ela chegou no “escritório” abafado, puxou a persiana e se decepcionou.
Toda a satisfação se esvaiu, em elevadíssima velocidade de difusão, ela não estava mais “cheia de gás”, optou por deixar a bagunça de lado (assim como uma mulher optou por escutar os ensinamentos de Jesus, enquanto a irmã –Marta, acho- custava a arrumar a casa), pois logo abaixo do seu nariz um bando de irmãozinhos, seres humanos, montava uma carroça, esta puxada por um grande irmão, todos envoltos naquilo que ninguém se importa: lixo, e todos juntos se sentiam um lixo, eles não importam para a maioria –eles não são dinheiro- o sonho deles é que as pessoas os vejam como dinheiro, pra ver se tentam resgatá-los como o fazem com “dinheiro jogado fora”; catavam lixo, desesperados, aspiravam chorume feito fishes fora d’água aspiram pelo oxigênio vital. E ainda tem gente que perde tempo assistindo ao Big Brother.
Em meio a essa inversão de valores e de papeis na biosfera, a menina se perguntou como, momentos antes, pôde estar tão feliz e suddenly a situação se inverteu.
Mas ela não quer mais conseguir ser feliz convivendo com tantas injustiças, ela quer pôr cada coisa no seu lugar, e não tá falando da natureza morta dos objetos de casa; em meio a esse upside-down, a menina insiste agora em fazer um texto. Um texto que conte, ao menos um sexto, do que ela viu e não quis fingir que não viu.
Porque ela não quer que a pobreza faça parte da paisagem.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ação própria

A acumulação e concentração de capital tem raízes na apropriação do patrimônio coletivo, em detrimento do interesse público. O que ninguém produziu e que é essencial à vida é propriedade da corporação e pronta a ser comercializada ao maior lucro possível.

Durante a primeira fase do capitalismo, o comercial ou mercantilista, a riqueza dos países era medida pela quantidade de ouro e prata nos cofres. Para obter essa riqueza foi necessário incentivar as Grandes Navegações a fim de fazer novas descobertas. Terras além-mar de onde seria possível extrair matérias-primas para manter o ócio e a pompa do rei e da corte, visto que nos países promovedores da expansão marítima, os recursos naturais, especialmente metais, já estavam escassos decorrente do abuso na apropriação e exploração das jazidas ou afins que lá existia.

A apropriação, a princípio,européia,de riquezas da América, Ásia e África trouxe consequências incalculáveis que perduram até a contemporaneidade. A começar pela completa destruição das civilizações pré-colombianas e das inúmeras tribos indígenas dizimadas ou em crises de valores.
As colônias existiam para fornecer à metrópole o que ela necessitava delas, recursos naturais, sem nenhuma preocupação ou consciência social;o que resultou na acumulação de capitais pelas metrópoles, no desenvolvimento do capitalismo industrial e financeiro e na formação das D.I.T.s (Divisões Internacionais do Trabalho), estabelecendo como seria a base da economia até hoje: primária e extrativista ou industrializada e de alto valor agregado. O desenvolvimento e o
subdesenvolvimento seriam a herança histórica de séculos de apropriação, e consequente progresso de uns países, em prol do atraso de outros.

Aplicando a visão macro à microssistêmica, um país capitalista seria composto por várias instituições que funcionariam de maneira semelhante a ele. Partindo desse princípio, as corporações tentariam apropriar-se do público, e assim como a história conta, não significaria que algo pertence a todos, mas que esse elemento não seria de ninguém. Como os recursos naturais, em sua maioria, não são renováveis (e os que seriam estão deixando ser, tomando como exemplo a água devido à poluição), a posse deles provoca a menor disponibilidade para o resto da comunidade. Aproveitando-se disso, as empresas obtêm lucros fantásticos pois, de acordo com a lógica da economia, a procura intensa associada à pouca oferta no mercado promove a elevação dos preços, isto é, elas intervêm na política dos preços, tornando os consumidores dependentes.

Como o principal objetivo das corporações é lucrar o máximo possível, elas exploram sem limites; tanto os recursos naturais quanto as pessoas, simplesmente porque ela não vai perder a oportunidade de adquirir mais poder, maior determinação no comportamento do outro, caracterizando uma relação em que os benefícios e os malefícios são distribuídos injusta e desigualmente. Resultado: lucro às custas de terceiros e potencializado pela apropriação.

A posse e gestão privada dos recursos naturais levam a inacreditáveis acumulações de capital, mas também às desgraças.Dentre as externalidades negativas, a começar pela concentração de riqueza, estão as guerras. Guerras entre potências imperialistas que surgem de conflitos de interesses na busca incansável por mercados consumidores, mão de obra barata e matérias primas; tendo as reservas petrolíferas como palco mais frequente. Guerras civis, as chacinas e miséria africanas, produto das “partilhas amigáveis”e da invasão das multinacionais no continente com a cumplicidade dos dirigentes locais (assim como na grande parte do restante do planeta). Além das prováveis guerras contra países de alto potencial natural a ser explorado.

No entanto, essa extrema exploração poderia ser amenizada se todos pressionassem as corporações a promover ações que balanceassem as externalidades. A citar o fato de a Mac Donalds modificar a embalagem dos seus sanduíches,de isopor (que libera o gás CFC(cloroflúorcarboneto) e prejudica a Camada de Ozônio)para papelão, porque os consumidores deixaram de comprar o produto.

Em suma, a não ser que interfira em sua capacidade de acumular capital, através de pressões impostas pelos consumidores, por exemplo. As corporações não se sentem responsáveis por danos políticos, sociais, culturais e ambientais que a apropriação de recursos naturais pode
causar.

Perante essa situação de descomprometimento das corporações para com o bem geral, resta às pessoas mobilizarem-se e exigirem das empresas ações de benefício para a maioria, criando empresas com responsabilidade social pois o mercado consumidor é o maior influenciador nas atitudes das corporações.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Marginália II


O poema a seguir pertence ao Tropicalismo, movimento do final da década de 1960 inspirado na idéia da necessidade de assumirmos nossa cultura tropical, porém de modo crítico. Nesse sentido, expressõews como culpa, pecado e aflição referem-se ao fato de o Brasil ser visto como "o fim do mundo", "o terceiro mundo"...

Para criar um panorama do país, o texto reinterpreta referências culturais, históricas e literárias. O primeiro verso é uma forte referência religiosa, o ato de contrição dos católicos. "Ao canto da juriti" é uma referência ao livro Iracema, de José de Alencar."Minha terra tem palmeiras onde sopra o vento forte" parodia a "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias. O texto tb remete a cançõe spopulares, como "yes, nós temos bananas" e o refrão "ô lelê, ô lalá". Todo o texto está carregado de ironia.


Marginália II

Eu, brasileiro, confesso minha culpa, meu pecado,

Meu sonho desesperado, meu bem guardado segredo,

Minha aflição.

Eu, brasileiro, confesso minha culpa, meu degredo,

Pão seco de cada dia, tropical melancolia,

Negra solidão.

Aqui é o fim do mundo, aqui é o fim do mundo,

Aqui é o fim do mundo...

Aqui o terceiro mundo pede a bênção e vai dormir

Entre cascatas, palmeiras, araçãs e bananeiras,

Ao cano do juriti

Aqui, meu banho de glória, aqui, meu laço e cadeia.

Conheço bem minha história, começa na lua cheia,

Termina antes do fim.

Aqui é o fim do mundo, aqui é o fim do mundo,
Aqui é o fim do mundo...

Minha terra tem palmeiras onde sopra o vento forte

Da fome, do medo e, muito principalmente, da morte.

Ô lelê, ô lalá...

Aqui é o fim do mundo, aqui é o fim do mundo,
Aqui é o fim do mundo...

(Gilberto Gil e Torquato Neto)



terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Informação Nutricional

A proposta inicial desse blog é a divulgação e a popularização de exemplos de estímulo para a sociedade.
Tais exemplos podem ser a atuação de pessoas comuns em causas solidárias e que proporcionam melhorias para os mais necessitados ou de pessoas que influenciaram gerações -direta ou indiretamente- com seus discursos e práticas, como pacifistas, sociólogos,chefes de Estado, assistentes sociais, filósofos.
Os exemplos podem ainda ser retirados de momentos de dificuldade na história e que estas foram superadas através de medidas tomadas (ou que estas foram aprofundadas através de medidas que não devem ser tomadas outra vez).
Exemplos de países, cidades, que apresentaram os mesmos problemas que os nossos, mas solucionaram-nos.
Além de fotos sensibilizantes e frases esperançosas.
Porque se nós formos ficar esperando que os outros façam o que deveria ser feito e não agirmos por conta própria -qualquer que seja a ação- só iremos fazer parte da corte ociosa, os bobos da corte.
Cortemos essa realidade de comodismo, a vida é incômoda dessa maneira, por isso vamos tratar de nos unir e transformar o mundo num lugar feito para nós e por nós.
Pois já dizia João Cabral de Melo Neto:
"Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre
de outros galos"

Outro tópico que agora vou relacionar nesse post é o sentido do nome do blog.
Inicialmente seria apenas VITAMINAL, que seria a fusão de vitaminas +fundamental, porém não estava disponível na verificação, então quis VITAMINALL, do inglês all remente a mim que tudo é motivo pra vitamina, por fim preferi três títulos: o (É) VITAMINAL, que se desdobra em dois: É vitaminal ou apenas vitaminal e o último: EVITA-ME NOW, visto que o blog irá tratar sobre situações que as pessoas revelam descaso, uma forte tendência pra se esquivarem ou adiarem ou ainda, bem típico da humanidade, colocarem a culpa nos outros, bem ao estilo da máxima sartriana : "O inferno são os outros".

Ah! Eu ficaria bastante grata se aparecessem voluntários me indicando exemplos por mim deconhecidos, contribuindo para o conteúdo do blog.