Venda sem prescrição médica

Overdosem-se!

domingo, 5 de julho de 2009

Transnacionais e transações anuais: o basich

Empresas transnacionais são corporações que buscam descentralizar a produção dos bens e serviços que comercializados por elas; de modo que a sede administrativa e o laboratório de criação se localizam em um determinado país, a matéria-prima empregada na fabricação do produto provém de outra localidade e a produção da mercadoria é realizada em um Estado distinto.

Por esta característica, as transnacionais são acusadas de não serem vinculados a nenhum país – nem mesmo o de sua origem. Tal razão vem induzindo a substituição do termo multinacional por transnacional, visto que aquele indicaria que uma empresa possuiria várias nacionalidades, sendo que na realidade elas apenas transferem-se de lugar, numa tentativa de maximizar os lucros mediante custos mais baixos possíveis - mesmo que para isso elas tracem estratégias conflituosas com as das empresas locais.

Então, tendo em vista lucros em escala global, as transnacionais almejam e até “necessitam” dominar mercados de mesma proporção para, com isso, conseguirem vencer a concorrência. Entretanto, para atingirem metas tão ambiciosas, elas se utilizam de meios antiéticos (justificados pelas tais “necessidades”)

Uma ação típica das “empreendedoras” é a penetração em mercados ainda em expansão e com expectativas de forte crescimento. Geralmente, os próprios governos dos países subdesenvolvidos estimulam a entrada de investimentos externos no país. Isto porque eles acreditam que, através delas, conseguirão mais riqueza e melhores condições de vida para a população.

Mas não é isso o que ocorre. É verdade que as transnacionais levam consigo novos produtos, novos serviços, tecnologias e técnicas de produção, apesar disso, essas corporações também têm a capacidade de provocar a falência das empresas locais e chantagear governos.

Como a internacionalização da economia vem acontecendo de maneira mais acelerada que o desenvolvimento dos países (os fluxos de investimentos estrangeiros cresceram em proporção mais elevada do que as taxas de crescimento das economias), o desempenho local dos países não se encontra no mesmo nível que o das trans; de forma que os possíveis benefícios a serem proporcionados com as rivalidades – como, por exemplo, a melhora gradual no produto ou serviço ofertado- não acontecem; simplesmente porque as empresas locais não conseguem vencer a disputa por mercados, fornecedores e mão-obra com uma rival de poder muito superior. Resultado: vão à falência.

Outro dano pelas transnacionais causado está ligado à dependência. Os países recebedores de transnacionais apresentam seu desempenho exportador diretamente relacionado a elas, portanto, aproveitando-se dessa condição e da imensa dimensão econômica – só para se ter uma ideia, em 1996, cerca de 400 desse tipo de empresa alcançaram vendas anuais superiores a U$$ 10 bilhões, enquanto que apenas 70 países tiveram um PNB, que desconta os lucros enviados ao exterior pelas transnacionais, por exemplo, próximo a esse valor – as transnacionais chantageiam os governos para que os incentivos ,que lhes foram fornecidos por um prazo, continuem até o tempo que for da vontade delas; caso contrário, elas mudarão de lugar e deixarão milhares de famílias brasileiras desempregadas. Nessa situação, os governos cedem.

Outra polêmica se refere à dificuldade que há em exigir respostas às transnacionais no que diz respeito às atitudes desrespeitosas destas quanto aos direitos humanos (a exploração da mão-de-obra em países pobres, na qual pessoas não são tratadas como seres humanos, mas vistas somente como fator produtivo); ao descaso com o meio-ambiente ou à manipulação do consumidor e, ainda, posições acerca das práticas ilegais nos negócios, incluindo o descontrole fiscal, que acarretam quebradeira das empresas e crise.

E a lista continua, a Guerra civil de Angola, a citar, foi sustentada por patrocínios de transnacionais interessadas no conflito para que, assim, pudessem se apropriar dos recursos naturais da região. De igual indignação é o fato de, durante a Segunda Guerra Mundial, o exército japonês ter “cedido” os prisioneiros para realizar trabalho escravo nas fábricas Mitsu e Mitsubishi. Ainda no contexto, a Ford e a GM financiaram o exército nazista alemão, tornando-se assim as maiores fornecedoras de veículos e, através dessas práticas, mais ricas também; sem contar a questão do aumento do preço dos alimentos, provocada pelo monopólio de sementes que empresas como Bunge e Cargill.

Nesse sentido, visto que as transnacionais não estão vinculadas a nenhum país, fica difícil para a população e para os Estados (que, inúmeras vezes, até mesmo apóiam as trans mediante acordos para que elas financiem, com dinheiro sujo de máfia e tráfico de drogas, suas respectivas campanhas eleitorais) imporem posições sobre tais assuntos já que a qualquer momento elas podem se translocar e, com isso, deixar muitas famílias sem trabalho – mesmo que a atividade que se ocupam seja desumana.

Por fim, uma explicação para ações de tamanha repugnância retirada do Relatório de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas de 1999: “Quando as motivações de lucro dos atores do mercado ficam fora de controle, desafiam a ética das pessoas e sacrificam o respeito pela justiça e direitos humanos”.

Vejam os documentários
"The Corporation" e " Operários do mundo"

5 comentários:

  1. muito bom o texto day!
    Interessante ver como muitas pessoas ainda se indignam quando o governo não dá os “auxílios” necessários para a instalação dessas empresas no nosso país!
    A industria nacional sempre sofreu uma concorrência desleal e quando não foi vítima de sabotagem.
    Continue postando Day, gostei muito dos seus blogs!
    Beijão linda

    ResponderExcluir
  2. olá!
    obrigado por ter visitado e comentado no meu blog!
    olha eu gostei dos seus textos sério mesmo!
    é bom saber que ainda existe meninas que se preocupam com assuntos assim!
    PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!
    CONTINUE ASSIM!
    SÓ ACHO QUE VOCÊ DEVERIA ATUALIZAR MAIS VEZES ESSE BLOG!
    MESMO ASSIM VC ESTAR DE PARABÉNS!
    VC É DE MACEIÓ MESMO?
    PARABÉNS!!!!!!!!!! :)

    ResponderExcluir
  3. Esse eu acho que foi um dos primeiros textos que eu li no seu blog. Achei muito bom mas na época eu não postei nada. Tb... nem falava direito com vc ainda. rsrsrs

    Pois enfim... mais um texto perfect!

    ResponderExcluir
  4. Você teria futuro como jornalista, juro!

    ResponderExcluir
  5. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir