Mesmo sentada, andei pensando em certas coisas - não lá tão certas. Mas irei compartilhá-las.
O ônibus da Real Alagoas estava bem distante da típica realidade. Exceto por uns 8 passageiros pontilhados, o bus estava vazio! Confesso que isso não me incomodou nem um pouco. Dessa maneira, eu pude passar mais da metade do percurso bem acomodada, dormindo deitada nas duas poltronas - afinal, minhas pernas valem por dois (ou seria meu egoísmo?). Enfim, só sei que o veículo foi parando, parando, parou.
Os 30 e poucos lugares restantes foram ocupados. O ônibus do horário anterior ao que eu tinha pego, quebrou. E a minha mordomia foi também quebrada: Moisés apareceu ao meu lado. Ele estudava geografia, pediu transferência, passou num concurso de policial, passou três meses em São Paulo pra fazer uma especialização em segurança pública. Passo a passo, ele me contava. Percebi nele uma imensa vontade de lutar. Admirável. Gostava de tocar guitarra, de ouvir algumas bandas em comum. Parou no aeroporto. Aperto de mãos e desce.
Paro na rodoviária. As mãos do taxista no volante. Pergunto e pergunto, até que ele me pergunta:
- Você é repórter?
haha
-Não. Sou curiosa mesmo.=D
Ele aperta o dinheiro e eu subo.
Adentrei o prédio feliz por ter exercitado a minha capacidade comunicativa. E porque a minha juba impelia a água cadente.
O que eu quero finalmente dizer?
Existem pessoas que passam pela sua vida e você nunca mais terá notícias delas. Não que eu queeira entrar em contato com elas, nah. Mas hoje eu estranhei isso. Cometas.
Creio que é importante conhecer o mundinho de cada um. Pelo menos assim, eu não me sinto tão enclausurada. Nem eles.
Ret icên cias
Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Como um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a tudo
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar
São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Como um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a tudo
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar
São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar
Chico Buáá(rque)
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