Trabalhava 17 horas por dia
Na maquinaria
Mulher ou máquina?
Ela se confundia
Não tinha família.
Tinha, mas não convivia
Não tinha amigas.
Tinha, mas a distância entre as máquinas
Fazia crer que não as tinha.
Não tinha dinheiro
Até tinha, mas só dava pra uns dias.
Ela tinha força.
Pra permanecer de pé após 17 horas em pé.
Não tinha dente,
Se perguntassem religião?
Era crente no grande Gandhi
Se perguntassem se ainda era gente
Apesar de não parecer, ela era gente. Não era?
Era.
Foi atropelada na Índia.
Sem dó nem piedade.
Não pelo "Tata Nano"
Foi atropelada pelo destino.
O que me leva a uma reflexão corriqueira: As pessoas nascem numa determinada circunstância - época de guerra, tempos de paz, lugar desigual, lugar com oportunidades, lugar em que homens são máquinas, lugar em que pudles valem mais que gente, família desestruturada, família aparentemente estruturada, família de valores que se prezem.
Enfim, nós somos "jogados" nessa loucura assim que nascemos. E é exatamente em qual parte do tabuleiro caímos que vai determinar quem somos ou o que teremos de passar para sermos o que somos, o que nos moldará.
É como se fôssemos mesmo o barro dito no Gênesis onde as condições as quais são impostas a nós (e que muitas vezes são decisões alheias que irão interferir na nossa própria realidade) são as palhetadas que darão forma à escultura: nós mesmos.